A armadilha é virtual, mas seus reflexos ultrapassam a virtualidade e podem se materializar, ou seja, podem se tornar reais.
O cenário é o vasto mundo conhecido como ciberespaço; a ferramenta, o correio eletrônico, ou e-mail em inglês; já a armadilha é o conteúdo existente no e-mail, o qual encontra poucas barreiras que lhe impeçam de conquistar os leitores e usuários da rede.
O nome dado aos textos cujas autorias foram trocadas é “apócrifo”. E um caso interessantíssimo – talvez o mais conhecido caso de texto apócrifo que rodou o mundo – é o ”Filtro Solar” (cujo nome original é “Conselhos, como a juventude, desperdiçados nos jovens”).
O texto começou a circular na rede em 1997 e sua autoria era dada ao escritor estadunidense, Kurt Vonnegut, porém, não era. A mãe de ”Filtro Solar” era Mary Schmich, então jornalista do Chicago Tribune. Ela afirma que a intenção do trote era a de ilustrar o alcance, a potência e as falhas da internet. E realmente deu certo, pois o texto caira nas frases da semana da revista Time de 7 de agosto de 1997: “Wear Sunscreen, Kurt Vonnegut, at the Massachusetts Institute of Technology”.
E não pára por ai, acreditando ser um legítimo Vonnegut, o compositor australiano, Baz Luhrman, resolveu musicá-lo. O interessante é que o CD fora um sucesso, mesmo depois de descoberta a verdadeira autora. Aqui no Brasil a música é entoada pela voz de Pedro Bial (e ainda assim há alguns desavisados que acreditam que o apresentador de Big Brother Brasil é o verdadeiro autor de “Filtro Solar”)…Vergonha Real e não Virtual.
A armadilha está lançada, só nos resta escaparmos sempre que a encontrarmos.
Vanessa Smith
Caroline Varizo
Eduardo Farias